#7 - Um pouco sobre Depressão


O assunto depressão é bastante delicado, deve ser abordado com cuidado para não causar confusão e desespero nos sujeitos que nele vão pensar. A delicadeza está na variedade de concepções e também na banalização do termo, que é difundido e utilizado para caracterizar qualquer espécie de tristeza.


No último post o assunto felicidade foi abordado (blog #6), quais são os ingredientes desta complexa receita “ser feliz”? Existe uma lista de ingredientes e processos que calham na suposta felicidade? Estas são perguntas capciosas e essenciais, no entanto são subjetivas.


Depressão como a psiquiatria caracteriza é uma doença comum e frequente, calcula-se que as pessoas tenham 15% de chances de desenvolver um quadro depressivo ao longo da vida e que por ano, 1 a cada 20 pessoas são diagnosticadas e tratadas por depressão.


Esses números, assim como outros que já abordamos aqui (blog #3) assustam qualquer leitor. No entanto, o objetivo não é este, a realidade é que uma séria reflexão também deverá ser feita sobre o número de diagnósticos e também sobre a patologização do dia a dia e dos sofrimentos, que também pontuamos aqui como inerentes ao ser humano e nosso modo de cultura.


Sendo assim, vamos ao tema, depressão é uma doença caracterizada por uma série de sintomas, o mais expressivo sendo a tristeza profunda e prolongada que acarreta consequências no dia a dia do sujeito. Além da tristeza, apatia, irritação, vazio, pessimismo, dificuldades de concentração e disfunções nas tarefas diárias, indisposições, pensamentos negativos, de auto-desvalorização, entre outros sintomas de ordem física como perda de apetite, ansiedade, problemas gastro intestinais, dores de cabeça, alterações no sono podem ser elencados entre as manifestações depressivas. Em casos mais graves observa-se pensamentos suicidas e ideias de morte. Em geral, os quadros são prolongados e se repetem ao longo da vida. Devem ser distintos evidentemente de situações pontuais como o luto, rompimentos de relacionamentos, problemas e conflitos do dia a dia e as tristezas passageiras que causam desconfortos, mas não exigem necessariamente intervenções terapêuticas e/ ou medicamentosas. Tenho que ser feliz sempre caso contrário sou depressivo? NÃO!!!


Os tratamentos dos quadros depressivos em geral exigem intervenções terapêuticas efetivas e em vários casos uso de medicamentos. Estudos demonstram que o uso exclusivo de medicações antidepressivas pode não ser tão efetivo quanto a indústria farmacêutica prega, os efeitos podem ser pontuais, aliviadores, mas não acessam necessariamente os “pontos-chave” que desencadearam o quadro em sí.


O que dificulta um pouco o tratamento é o “timing” da ajuda terapêutica. Falamos no blog #2 sobre os preconceitos com relação à saúde mental, o resultado disso é insegurança e vergonha de buscar avaliação profissional e o agravamento dos quadros. Muitos sentem-se fracos e incapazes, a cultura da produção contínua de resultados e a estigmatização são desafios reais para o tratamento.


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Veja também: Antidepressivos sem terapia não funcionam!


Entrevista com Allen Frances, o criador do manual de doenças psiquiátricas refletindo sobre esse tema