IRINA CASTRO


Quando eu era bem jovem tive dificuldade de decidir o que queria fazer para "ganhar a vida", então fui adiando essa decisão e trabalhando naquilo que ia surgindo, o que inegavelmente me rendeu boas experiencias de vida. Aos 21 anos engravidei da minha filha e achei que me casar fosse o melhor que poderia fazer naquele momento, logo vi que estava enganada e três anos depois estava sozinha com minha pequena e na urgência de fazer algo para cuidar das necessidades de minha filha.


Assim, decidi fazer um curso técnico de Estética no Senac. Antes mesmo do termino eu já estava com alguns clientes e logo que conclui a formação fui trabalhar em uma ótima clínica, no entanto, algo me incomodava nos meus atendimentos. Eu não entendia a insatisfação infinita das clientes com suas aparências físicas, mesmo quando tudo parecia bem, não era o que elas achavam. Parecia um buraco sem fim. Isso me encafifava e sempre me fez refletir muito nas necessidades humanas e na cultura em que estamos inseridos.


Me chamava atenção clientes que saiam de sessões de massagens terapêuticas, pareciam ter um brilho no olhar e uma satisfação estampada na face. Então, me matriculei numa formação de massoterapia. A partir daí fui me realizando ao ver a satisfação dos clientes nos atendimentos de massagens terapêuticas que eu fazia, tinha a impressão que eles estavam se encontrando com eles mesmos naqueles momentos de silencio e relaxamento intermediados pelo meu toque. Neste momento abandonei a estética e mergulhei no mundo da massoterapia, entendi a profundidade dessa técnica assim como a potência de despertar para muitas pessoas, fiz vários cursos e me especializei na Índia.


Mais tarde, nessa mesma busca e curiosidade pelo que permitia às pessoas esse encontro genuíno com elas mesmas encontrei o Yoga, primeiramente como pratica pessoal que me impulsionava a esse encontro com algo grandioso dentro de mim, que eu nem sabia que existia. Passei anos só praticando, porém, essa inquietação tomou conta de mim, quase que um "chamado" para me aprofundar. Fiz cinco formações de yoga, entre elas uma especialização para crianças.


Simplesmente mudei minha vida com o Yoga. Ele me ajudava me conectar com o melhor em mim o que me permitia acolher também minha vulnerabilidade. A vida ficou mais prazerosa, porém um prazer que vinha de dentro. Eu queria levar isso para as pessoas e assim comecei a dar aulas.


E nesse percurso de acolhimento do outro, inclusive trabalhando em saúde mental e com situações de crise conheci a CNV (Comunicação Não Violenta), um método de aprimoramento das relações que se baseia na conexão com nossos sentimentos e necessidades e também com a dos outros. Mergulhei fundo nos cursos, leituras e grupo de estudo e para mim o CNV veio compor a pratica de Yoga e da Massagem Terapêutica. Atualmente coordeno grupos de CNV.


A minha motivação maior é contribuir com essas práticas tão importantes na minha jornada e desenvolvimento e ajudar a despertar nas pessoas que chegam até mim esse encontro com elas mesmas, o resgate da essência naquele lugar de inteireza e plenitude dos quais estamos tão desconectados atualmente.